Marmita, trufa, pão de mel, congelados. Vender comida pode ser uma opção para quem está sem emprego ou precisando de uma renda extra. O setor de alimentação fora de casa teve alta de 6,2% nas vendas em 2015 e estima um crescimento de 7,7% para este ano, segundo dados do Instituto Foodservice Brasil, que reúne os principais representantes do setor.

Não basta ter familiaridade com a cozinha. Pode parecer simples, mas começar um negócio nessa área exige planejamento: é preciso definir o cardápio, escolher os fornecedores, fazer uma programação de compras, organizar os gastos fixos e variáveis, etc. “Se não houver planejamento antes de começar, o risco de o negócio não dar certo é maior”, diz o professor de MBA da FGV (Fundação Getúlio Vargas) Marcus Quintella.

Confira abaixo o passo a passo.

Definir o produto

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O primeiro passo é decidir que tipo de produto quer oferecer, afirma o consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo) Leonardo Paiva. “O setor de comida pronta tem inúmeros mercados. É preciso saber quem será seu cliente e definir o que vai propor.”

Começar o planejamento

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Para começar a estruturar o negócio, Quintella sugere responder a algumas perguntas:

  • Há mercado na área em que quero investir?
  • O meu produto resolve o problema de alguém?
  • Quais são os meus concorrentes diretos e indiretos?
  • O que vou precisar para abrir esse negócio?
  • Onde vou produzir o meu produto?
  • O que preciso comprar para isso?
  • Quanto vou vender por dia?
  • Quanto os clientes estão dispostos a pagar?

Escolher ingredientes e fornecedores

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Os iniciantes no negócio acabam escolhendo a zona cerealista e atacados para comprar os ingredientes, já que os produtos nesses locais costumam ser mais baratos, diz Letícia Menegon, coordenadora da Incubadora de Negócios ESPM. Outra opção é procurar fornecedores que façam a entrega dos itens.

Ao fazer as próprias compras, é preciso observar a validade dos produtos e as condições de higiene e manipulação. Também é necessário verificar as condições da embalagem: elas têm a função de proteger o alimento e, quando violadas, podem permitir alguma contaminação.

Ela afirma que nem sempre vale a pena optar pelo ingrediente mais barato; às vezes, diz Menegon, vale a pena investir um pouco na qualidade mais para agradar a clientela. “Às vezes, a diferença quando se compra em grande quantidade é tão pequena que compensa investir mais para o cliente retornar.”

Pensar na embalagem

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O ideal é que a embalagem seja descartável, podendo ser de alumínio ou a vácuo, dependendo do produto e da prática do mercado, diz Menegon.

É o empreendedor quem decide se coloca o logotipo e o nome da empresa no pacote –lembrando que, quando mais incrementada for, mais cara ficará. Há algumas informações básicas, porém, que devem constar na embalagem, de acordo com a Coordenação de Vigilância em Saúde:

  • Nome do produto;
  • Lista de ingredientes;
  • Quantidade do produto em volume ou peso;
  • Identificação de origem: razão social e endereço do fabricante e do distribuidor (se houver);
  • Identificação do lote;
  • Identificação do prazo de validade (se for menos que três meses, colocar dia e mês; se for mais que três meses, colocar o mês e o ano);
  • Informações nutricionais, como calorias, carboidratos, sódio etc. (é preciso contratar os serviços de um nutricionista ou engenheiro de alimentos para isso);
  • Modo de conservação (local seco e arejado, refrigerado, congelado etc.).

Calcular quanto produzir

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Para definir quanto precisará produzir, o ideal é analisar os concorrentes, segundo Paiva, do Sebrae-SP. Estudos na região em que pretende atuar ou pesquisas de mercado também podem ajudar na hora de fazer essa estimativa.

Essa projeção precisa ser realista, diz ele. “É melhor ter uma surpresa de que eu tenho muito movimento e preciso ampliar ou colocar uma capacidade extra do que eu ter uma estrutura ociosa e fazer um investimento que depois não consigo recuperar.”

Saber como entregará o produto

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Paiva conta que a entrega do produto pode ser feita com uma infraestrutura própria do empreendedor, com seu carro, ou pode ser terceirizada, contratando motoboys, por exemplo.

Mesmo se o próprio empreendedor for cuidar da entregar, é preciso pensar em como o transporte será feito: precisa ter um local adequado para levar a comida até o cliente, como caixas térmicas e embalagens apropriadas, diz Menegon.

Legalizar-se

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Após o planejamento, é preciso pensar em legalizar o negócio. “Mesmo um negócio pequeno, que o empreendedor abra em casa, deve partir para a legalidade”, aconselha Quintella.

Se a ideia é começar pequeno, a opção pode ser o MEI (Microempreendedor Individual). Essa alternativa exige menos pagamento de impostos e é direcionada para quem recebe até R$ 60 mil por ano ou R$ 5.000 por mês. O futuro empreendedor passa a ter um CNPJ, o que facilita para emitir notas e negociar com fornecedores. Para saber mais, clique aqui: http://zip.net/bftsVJ (endereço encurtado e seguro).

Se o rendimento for maior, entre R$ 60 mil e R$ 360 mil por ano, a opção é abrir uma microempresa com auxílio de um contador.

Obter licenças sanitárias

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Para trabalhar com comida, é preciso obter licenças sanitárias. “Para quem manipula alimento é essencial ter as licenças”, diz Quintella. Na cidade de São Paulo, por exemplo, é necessário ter o Cadastro Municipal de Vigilância em Saúde (CMVS), um registro de identificação do estabelecimento e equipamentos no órgão de vigilância em saúde do município.

De acordo com a Coordenação de Vigilância em Saúde, para vender alimentos em vias e áreas públicas, é preciso, ainda, pedir o Termo de Permissão de Uso (TPU) na subprefeitura da região e, depois, solicitar o Cadastro Municipal de Vigilância em Saúde (CMVS).

Se a produção for feita em um apartamento, o empreendedor deve verificar as normas de seu condomínio para saber se a atividade é autorizada. Se partir para outro local, terá que emitir um alvará de funcionamento na Prefeitura da cidade. O corpo de bombeiros também poderá participar do processo de vistoria.

Colocar os planos em prática

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Com os documentos em ordem, o empreendedor já pode colocar em prática seu planejamento. Paiva aconselha seguir uma padronização desde o começo. Se o produto é um bolo, por exemplo, deverá haver uma ficha técnica de custo, com o preço de cada item da receita, e outra ficha de produção, com as medidas exatas de cada ingrediente.

“O responsável pelo alimento não deve só saber cozinhar. Precisará reproduzir as receitas e caminhar para uma organização melhor, uma padronização.”

Testar um projeto-piloto

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Se o empreendedor estiver inseguro pode fazer testes antes de começar oficialmente. Uma das opções apontadas por Paiva é organizar um projeto-piloto e convidar algumas pessoas para experimentar os produtos. “Isso deve estar previsto no orçamento. É melhor custar mais e abrir um negócio mais seguro do que ter falhas ao longo do caminho.”

Fazer divulgação e pós-venda

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Tudo pronto, e agora? É preciso pensar na divulgação do negócio e no pós-venda. Uma opção é usar as redes sociais de forma integrada para contar mais sobre o produto e atrair clientes.

Em um primeiro momento, a empresa pode ter uma página no Facebook, diz Menegon. Criar um site é um pouco mais caro. Para ela, vale a pena divulgar os preços na internet, pois esse pode ser um fator de decisão do cliente. Deixar fotos elaboradas dos produtos e o contato visível também ajuda.

O empreendedor também pode usar aplicativos como o WhatsApp para ajudar na comunicação com os clientes e até para combinar os pedidos.

Além disso, acompanhando os comentários nas redes sociais, o empreendedor pode descobrir onde tem que melhorar e quais as preferências dos clientes. “Se souber coletar as informações, tem chances de minimizar os riscos”, afirma Paiva.

Aperfeiçoar-se

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Se na hora H o negócio não sair como planejado, o empreendedor pode fazer modificações. “Alguns negócios funcionam na tentativa e erro. Tem que ir aperfeiçoando. É um planejamento permanente para sempre melhorar o processo de produção e venda”, diz Quintella.

Fonte: UOL

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